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Caso Kalume: STF rejeita recurso da defesa e mantém condenação de médicos

Médicos condenados no caso Kalume seguem atuando Reprodução/ TV Vanguarda O STF (Superior Tribunal Federal) negou um novo recurso da defesa e manteve a cond...

Caso Kalume: STF rejeita recurso da defesa e mantém condenação de médicos
Caso Kalume: STF rejeita recurso da defesa e mantém condenação de médicos (Foto: Reprodução)

Médicos condenados no caso Kalume seguem atuando Reprodução/ TV Vanguarda O STF (Superior Tribunal Federal) negou um novo recurso da defesa e manteve a condenação dos médicos do caso conhecido como Kalume - um esquema de tráfico de órgãos denunciado em Taubaté, no interior de São Paulo, na década de 80. Assim como em outras tentativas no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) e no STJ (Superior Tribunal de Justiça), o objetivo do recurso era anular a decisão de 2024 que determinou a prisão imediata dos médicos. No pedido, a defesa apontou o indeferimento de perguntas a uma testemunha, a negativa de um pedido de acareação entre testemunhas, o impedimento da oitiva de uma testemunha em plenário e supostos vícios na formulação dos quesitos apresentados aos jurados. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp STJ nega anulação da condenação de médicos do 'Caso Kalume', esquema de tráfico de órgãos Na decisão da última semana, o ministro Luiz Fux afirmou que as alegações dependiam da interpretação de normas infraconstitucionais e da reanálise do conjunto de provas do processo, o que não é permitido em recurso extraordinário. Ao analisar o caso, o relator destacou que o TJ-SP já havia concluído que não houve cerceamento de defesa durante o julgamento e que as decisões tomadas pelo juiz-presidente do Tribunal do Júri estavam devidamente fundamentadas. Ele também ressaltou que a condenação foi mantida porque havia elementos probatórios suficientes para sustentar o veredito dos jurados. Dos três médicos condenados pelo esquema, dois já morreram: Pedro Henrique Masjuan Torrecillas, em 2024, e Rui Noronha Sacramento, em 2025. Portanto, o único que segue respondendo pelo processo é Mariano Fiore Júnior, que está foragido desde outubro do ano passado, quando a justiça determinou a prisão imediata dele. Em contato com o g1 por telefone, o advogado Sérgio Ivahy Badaró, confirmou que apresentou embargo de declaração apontando omissão na decisão de Luiz Fux. O novo recurso ainda não tem data para ser analisado. Mariano Fiore Junior, condenado no caso Kalume TV Vanguarda/Reprodução Caso Kalume Em 1987, em Taubaté, cidade localizada a 130 km da capital paulista, o médico Roosevelt Kalume foi o responsável por revelar o suposto esquema de tráfico de órgãos no antigo Hospital Santa Isabel, onde hoje funciona o Hospital Regional de Taubaté. Então diretor da faculdade de medicina, ele procurou o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) para informar que um programa ilegal de retirada de rins de cadáveres e pacientes vivos, para doação e transplantes acontecia sem o seu conhecimento e aval. Ao todo, três médicos estão envolvidos: Pedro Henrique Masjuan Torrecillas (morreu em 2024), Mariano Fiore Júnior e Rui Noronha Sacramento (morreu em 2025). Caso Kalume Reprodução/TV Vanguarda Na época, o assunto ficou conhecido nacionalmente e a imprensa batizou de caso Kalume, em referência ao sobrenome do médico que denunciou o caso para as autoridades. O escândalo resultou na abertura de inquérito policial em 1987 e até virou alvo, em 2003, de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apurava a atuação de organizações criminosas no tráfico de órgãos no Brasil. A investigação durou 10 anos e a Polícia Civil de Taubaté responsabilizou quatro médicos pelas mortes de quatro pacientes. O outro médico apontado no inquérito foi Antônio Aurélio de Carvalho Monteiro, que morreu em maio de 2011, meses antes do julgamento. O caso foi à júri popular em outubro de 2011 – 25 anos após o acontecimento – e resultou na condenação dos três médicos a 17 anos de prisão. Eles foram condenados por homicídios dolosos dos quatro pacientes. Em 1993, Kalume chegou a publicar um livro sobre o caso. Para narrar os fatos, ele usou nomes diferentes dos personagens da vida real. No entanto, a obra, que faz parte do processo contra os médicos, deixou de ser publicada. Reportagem de 2012 mostrou que um ano após julgamento, caso Kalume seguia longe de um desfecho Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina